Procura-se a seleção de 2014
Na pré-temporada dos clubes brasileiros, as atenções se voltam para a Copa São Paulo de Juniores. Empresários do mundo todo mandam emissários, a fim de tentar descobrir talentos que poderão ser negocidos mais baratos.
É um risco, principalmente para clubes grandes, que investem nas categorias de base e são obrigados a pagar altos salários aos adolescentes, sob pena de perde-los facilmente para os gringos. O São Paulo está quase perdendo dois, Oscar e Diogo.
Infelizmente, as regras do jogo são estas. O futebol brasileiro sempre foi poderoso por causa da sua inegotável capacidade de revelar novos jogadores. É natural que desperte a cobiça alheia.
Alguns anos atrás, lembro de uma declaração de Maradona, mais ou menos assim: “O Brasil é incrivel: quando menos se espera surgem dois ou três moleques, com o nome terminando por “inho”, que assombram o mundo do futebol…”
E esses moleques, invariavelmente com o apelido no diminutivo, surgem exatamente em torneios como a Copa São Paulo. É interminável a lista de bons jogadores revelados na Copinha.
Espera-se que este ano não seja diferente, porque, a julgar pelo que aconteceu em 2009 com as seleções sub-17 e sub-20, não temos motivos para comemorar. O time sub-17 deu o maior vexame da história, terminando em 17o lugar no Mundial. O sub-20 foi vice-campeão, perdendo a final para Gana.
É muito provável que boa parte da seleção brasileira que vai disputar a Copa do Mundo de 2014 seja composta por essa geração que está começando agora. Temos que torcer para que surjam pelo menos um ou dois jogadores realmente diferenciados.
Sim, porque o Brasil só foi campeão do mundo quando tinha um mais foras-de-série entre os titulares. Foi assim em 1958 e 1962, com Pelé e Garrincha; em 1970, com Pelé, Tostão e Rivelino; em 1994, com Romário; e em 2002 com Ronaldo e Rivaldo.
E onde estão os nossos craques do futuro? Não sei, mas acho que o técnico Dunga poderia investir em jogadores como Alexandre Pato e Anderson, talvez pensando no futuro. Deu certo com Ronaldo e Kaká, que foram apenas compor o elenco em suas primeiras experiências em mundiais.
Aliás, é incompreensível que um jogador como Alexandre Pato – por quem o Real Madri está disposto a pagar mais de 60 milhões de euros para tirá-lo do Milan – seja solenemente ignorado por Dunga.
Fonte: Blog Marcondes Brito
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